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As assimetrias geográficas, económicas e sociais existem, sem dúvida.
Todos nós nos apercebemos disso, em maior ou menor escala. Quando percorremos o interior do país, o interior profundo, o caso torna-se gritante.
E em relação à Educação, aflige-me.
Um aluno de uma escola de litoral ou da cidade tem logo à partida, maiores hipóteses de sucesso escolar, de que um aluno de uma aldeia remota.
Senão vejamos:
Levantar todos os dias às seis da manhã, seja Verão ou Inverno, com ou sem gelo e neve;
Percorrer a pé, distâncias que podem ir até 60 minutos, para chegar à estrada nacional, onde o autocarro escolar, passa;
Levar, mais cerca de 60 minutos de autocarro, que invariavelmente não é dos mais bem apetrechados;
Ficar na escola ou no centro educativo das 8.30 às 18.00 horas, três dias por semana;
Depois... percorrer o caminho inverso;
Fazer os TPCs e preparação para as aulas do dia seguinte (testes);
Ter tempo para si próprio, para brincar, para a família e para os trabalhos do campo.
Quando conseguem superar a dura prova dos primeiros anos, tornam-se excelentes alunos e pessoas de mérito e evidenciam-se nas áreas em que se especializam.
Eu sei do que falo. Eu vejo com os meus olhos e sinto com o meu coração.
Tenho dito...