segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mérito



As assimetrias geográficas, económicas e sociais existem, sem dúvida.
Todos nós nos apercebemos disso, em maior ou menor escala. Quando percorremos o interior do país, o interior profundo, o caso torna-se gritante.
E em relação à Educação, aflige-me.
Um aluno de uma escola de litoral ou da cidade tem logo à partida, maiores hipóteses de sucesso escolar, de que um aluno de uma aldeia remota.
Senão vejamos:
Levantar todos os dias às seis da manhã, seja Verão ou Inverno, com ou sem gelo e neve;
Percorrer a pé, distâncias que podem ir até 60 minutos, para chegar à estrada nacional, onde o autocarro escolar, passa;
Levar, mais cerca de 60 minutos de autocarro, que invariavelmente não é dos mais bem apetrechados;
Ficar na escola ou no centro educativo das 8.30 às 18.00 horas, três dias por semana;
Depois... percorrer o caminho inverso;
Fazer os TPCs e preparação para as aulas do dia seguinte (testes);
Ter tempo para si próprio, para brincar, para a família e para os trabalhos do campo.
Quando conseguem superar a dura prova dos primeiros anos, tornam-se excelentes alunos e pessoas de mérito e evidenciam-se nas áreas em que se especializam.
Eu sei do que falo. Eu vejo com os meus olhos e sinto com o meu coração.
Tenho dito...

39 comentários:

Nina disse...

:)
Este teu post vem de encontro a um bocadinho do que escrevi no meu post actual.
Tens toda a razão.
Não é fácil andar horas de autocarro (hoje, já não é bem assim, na minha aldeia, mas outras há que ficam distantes de tudo), e ter que levantar cedo para fazer o percurso até o apanhar.
Recordo-me, no meu tempo, das cerca de 3 horas que andávamos em viagem (ida e volta). O Inverno era um sufoco.
Mais grandinhos fazíamos fogueiras.
Tempos...
É incrível como nos tempos que correm ainda há casos assim.
bji

Pratos da Bela disse...

são os grandes Homens e Mulheres deste país.
Sãos os mesmos,que Portugal tem vergonha de dar a mão, para ser muito melhor.
TRABALHAR nunca foi despezo, embora seja para muitos filhinhos dos papás e mamas.
Mas para estes meninos e meninas é o dia a dia, muitas vezes, nem tempo para eles brincar têm, pois a vida não lhes permite. QUE REVOLTAAAAAA...
Já têm uma grande carga no corpo.
A essas crinaças um muito obrigada pelo que são, e que se realizem todos os sonhos que têm, pois bem merecem. Pois, são estes os futuro de Portugal. Bem Hajam...
Jnihos fofos

Rita G. disse...

Tens toda a razão...por aqui tb vão fechar mais escolas, o que significa que as crianças de 6 anos vão ter de levantar-se mais cedo, ir de taxi para a escola...acho impressionante o facto de dizerem que não podem pagar a um professor porque a escola tem poucos alunos, mas depois pagam imenso dinheiro a transportadoras, para além do subsídio de desemprego aos profs. De certeza que fica bem mais caro, é ou não é? bj

ELISABETE- disse...

UMA LINDA SEMANA,MINHA QUERIDA PARA VC,QUE ELA SEJA CALMA TRANQUILA E COM MUITAS IDEIAS.BJINHO

Autora de Sonhos disse...

Tb me assusta...porque prevejo que muita coisa vai mudar, para pior...

Blondewithaphd disse...

Sim, somos de facto um país assimétrico e, mais do que isso, somos um país de ultra-periferias.

Tuquinha disse...

Mas são exactamente eses meninos, que AMANHÃ serão uns homens, que levantaram PORTUGAL!!!E, cabe-nos a todos nós e desde já proporcionar-lhe o minimo de condições para levaram a bom porto esse mérito... Mas, eles estão preparados para o que aí vem....esses sim estão preparados.
Beijocas...gostei deste texto e muito...é exactamente esta a realidade

*Sininho* disse...

É verdade! A minha mãe estou em condições parecidas e eu não me consigo imaginar, pequena como ela, a passar por todos esses sacrifícios diários. Claramente, ainda há muitas dificuldades a serem ultrpassadas no interior do país e a educação devia ser para todos...

Lux disse...

É bem verdade...
O meu padrinho é um desses exemplos... Nasceu em Vila Real há 76 anos, na altura a cidade não passava de uma mera vilazita, teve que vir mais tarde para o Universidade do Porto estudar (medicina porque foi o curso do irmão e os pais não tinham dinheiro para livros e assim aproveitou os que já tinham sido utilizados!) e sem referir nomes, posso dizer-te que foi um dos melhores cirurgiões nacionais e internacionais.
Quanto maiores as dificuldades, mais força de vontade algumas pessoas têm em as ultrapassar... E isso para mim sim... É NOTÁVEL!

xoxo
Lux

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Concordo em absoluto, amiga Manuela. Viajo muito pelo país em trabalho e em turismo e constato que não é só na educação que se faz sentir a interioridade. Por outro lado, é notório que os nossos políticos e jornalistas saem pouco de Lisboa e dos seus gabinetes. Caso contrário, já há muito teriam percebido que vêem o paísde uma forma deturpada que não corresponde à realidade.
Um boa semana

flor de jasmim disse...

Manuela Querida
Esses serão os possiveis bons homens do amanhã, pois a responsabilidade cai-lhes sobre eles logo de pequenos, serão muitos deles que irão evitar o fecho das escolas. Sabes eu cresci no meio rural e como tal quando vinha da escola tinha que ir para o campo com o meu pai, depois era a tratar do gado e a lida da casa, estudar ou seja, fazer os trabalhos de casa como lhe chamavamos só antes de deitar à luz de um candeeiro a petróleo, eu sou uma dessas crianças onde não tive escolas perto para seguir os estudos e posso te dizer que na minha Aldeia as crianças da minha geração apenas duas seguiram os estudos. Triste mas é a realidade.
Beijinho

Claudia disse...

Ainda ontem quando via o telejornal no canal 1 pensei nisso tudo em que escreves, pois falavam sobre Piódão e a minha mãe é dali perto. E depois pensei na sorte em que tive de ter crescido perto da escola e das dezenas de km que muitas crianças têm de fazer todos os dias, quase sem condições... E de como eram antes os tempos, não que os tenha vivido, mas pelo que contam.

Um beijinho muito grande

carol disse...

E esses vão ser os melhores dos melhores porque se habituaram ao trabalho, à maior dureza das situações, porque interiorizaram cedo que a vida não é cor de rosa (mas laranja ainda menos...)e aprendem a lutar e a ultrapassar e a ultrapassar-se. Tive alguns alunos assim. Felizmente.
Boa semana e... poucas angústias.

Green disse...

tens razão, infelizmente ainda há muitas aldeias isoladas desse tipo de meios, o que é triste!

ESpeCiaLmente GaSPaS disse...

É uma vida dura e nada fácil. Só lhes desejo: SUCESSO!

Caia disse...

Provavelmente, têm mais sucesso! Porquê? Porque dão outro valor...

anf disse...

Cada vez é pior,
bjo

Dylan disse...

Em pleno século XXI, num país tão pequeno, não há razão para estas assimetrias!

Anira the Cat disse...

Infelizmente, e com o fecho de cada vez mais escolas, é uma situação que se acentua. Também eu passei por isso, quando passei para o secundário apanhava o autocarro todos os dias às 7h15, e regressava a casa depois das 18h00... e ainda trabalhar e estudar!

Quanto à frase, não é original meu (e mesmo que fosse!), podes usar à vontade!

Bjokas

Lilá(s) disse...

E muito bem dito! uma realidade bem diferente da dos meus alunos que moram em frente á escola e têm a lata de chegar atrasados porque a mãe demorou a arranjar a mochila! etc...etc...e muito mais teria para dizer...
Bjs

Helena disse...

Por outro lado, os grandes atletas vêm do interior. :)
Era só para aligeirar um bocadinho o tema. :) Tem toda a razão e é preocupante que essas distâncias possam aumentar cada vez mais.

Fi ♥ disse...

Manuela querida eu não sou parecida é brincadeirinha;)

Quanto ao teu post é verdade e triste. Os alunos do interior têm de ter uma força de vontade enorme para se tornarem bons alunos e não abandonarem a escola precocemente, não devia ser tão difícil estudar...
beijinhos*

MAG disse...

Esses normalmente chegam à faculdade e tiram boas notas ao mesmo tempo que conseguem ter trabalho, Vão ser grandes. Esses é que deviam estar na política. Bjs

Eli disse...

Não será um fim definitivo... devo regressar noutro blog :) Eu apareço por cá depois!

mfc disse...

E agora para piorar, o Centrãozinho vai portajar as scut's do interior!
Onde vão as ideias do desenvolvimento do interior?!

Petra disse...

Sem dúvida que serão homens mais preparados para a vida, e com mais força e fibra.
Contudo e indo de encontro ao que dizes... faz muita falta o tempo para brincarem, partilha com os pais e um descanço merecido. bjo

Manuela disse...

Nina, hoje em dia com o reoordenamento do parque escolar, será cada vez mais assim...

Bela, obrigada pelo teu testemunho. Diz tudo!

Rita G. os transportes são pagos e responsabilidade das câmaras...

Beijinhos, minhas queridas.

Manuela disse...

Elisabete, obrigada, para ti também :)

Autora, as medidas economicistas, nunca trazem nada de bom...

Blondewithaphd, país de ultra-periferias... um tema a desenvolver...

Beijinhos, minhas queridas.

Manuela disse...

Tuquinha, tu por inerência profissional, convives de perto com esta realidade...

*Sininho*, a educação é para todos, mas uns são mais iguais, do que outros...

Lux, obrigado pelo teu testemunho, na primeira pessoa!

Beijinhos, minhas queridas.

Manuela disse...

Carlos, sem dúvida. Quem conhece vive e anda pelo interior, não pode, não deve, permitir certas medidas que são tomadas pelo executivo central...

flor de jasmim, agradeço o teu testemunho, na primeira pessoa, para que todos possam ler!

Claudia, mas hoje em dia, continuam a fazer Kms! Tive alunos que antes de apanharem o autocarro, andavam mais de 30m a pé...

Beijinhos, minhas queridas.

Manuela disse...

Carol, agradeço o seu testemunho, como professora, para que todos possam ler!

Green, e cada vez será pior, pois a desertificação humana, tende a aumentar...

ESpeCiaLmente GaSPaS, todos lhes desejamos muita coragem e sucesso!

Beijinhos, minhas queridas.

Manuela disse...

Caia, tens razão. Porque lhes "custa" o dobro que aos alunos das grandes cidades e do litoral...

anf, agora com os megaagrupamentos, não sei como irá ser...

Dylan, não haveria, se as medidas economicistas fossem as correctas...

Beijinhos, minhas(o) queridas(o).

Manuela disse...

Anira, obrigada pelo teu testemunho na primeira pessoa e obrigada pela frase que coloquei na coluna da direita, como podes ver!

Lilá(s) e que se não tiverem a última aula (e não existir substituição), podem ir mais cedo para casa. Aqui, aguardam o único autocarro...

Helena, estas distâncias (relativas), tendem a aumentar, sim!

Beijinhos, minhas queridas.

Manuela disse...

Fi ♥, tenho a certeza que és linda, na mesma :)
Tem sido uma luta titânica, por parte dos professores e da direcção das escolas, para que o abandono escolar, diminua!

Mag, tens toda a razão. Mas que não se deixem inebriar, pelo poder!

Eli, depois diz alguma coisa :)

Beijinhos, minhas queridas.

Manuela disse...

mfc, tirando o sector do turismo, não vejo grandes ideias para o desencolvemento do interior...

Petra, o tempo de partilha, nos seus locais de residência, diminuiu drásticamente. O pouco que lhes sobra, é utilizado para ajudarem os pais nas tarefas do campo...

Beijinhos, minha(o) querida(o).

Joana disse...

Mas as coisas não tinham que ser assim...não tinham que ser assim...se estivéssemos num país a evoluir, não seriam! Mas, o país está a regredir e com ele a qualidade de vida das pessoas...
Quando irá isto mudar?

Manuela disse...

Querida Joana, não prevejo grandes modificações a curto prazo... infelizmente! Talvez na geração dos teus filhos...

Beijinhos, minha querida.

Sissy disse...

Eu sou daquelas pessoas que a minha única obrigação é mesmo estar calada. Considero-me mesmo uma sortuda... Na pré-primária estava a 5 minutos de casa. Do 1.º ao 6.º ano iam me buscar a casa, andava numa privada. Do 7.º ao 12.º ano ia a pé para a escola (15 minutos, o que é nada!!). Na faculdade ia a pé 5 minutos e apanhava a camioneta que me deixava a 10 minutos da faculdade. Metia (e mete-me) como é que deixam as coisas chegar ao estado em que estão, porque os prejudicados continua sempre a ser o nosso futuro: as crianças.

Beijooo****

Manuela disse...

Querida Sissy, a questão é que não é só a deserteficação humana que é culpada, mas todo um conjunto de decisões administrativas...

Beijinhos, minha querida.